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29/05/04

Do Chelsea desde pequenino

José Mourinho começou a definir os seus traços profissionais e pessoais quando, ao serviço do Benfica, venceu de forma contundente o Sporting por 3-0. Da vitória e notoriedade adquiridas foi um passo até sair pela porta pequena do clube que lhe estendeu a mão para uma oportunidade como técnico principal.

A sua senda vitoriosa trouxe-o de forma natural ao comando do FC Porto onde se consagrou. Cada vez mais Mourinho demonstrou e vincou tanto as suas qualidades profissionais como as suas insuficiências de carácter.
Mas não tínhamos como não o adorar. Ele vaticinava conquistas, transpirava glória, prometia o paraíso... e cumpria. Vitórias atrás de vitórias e campeonato após campeonato. O Porto tornou-se pelas suas mãos imbatível e ele alcançou o píncaro como treinador.

Não sou ingrato - temos a equipa que temos devido a este homem. Mas também não sou insensível - não me ofusco com títulos, ainda que europeus, e não me esqueço de que o clube está acima de qualquer seu assalariado. O FC Porto deve muito a Mourinho, mas o contrário é igualmente verdade.

Os desejos de mais altos voos acarretavam nos portistas a ténue esperança de que no fundo também ele ficasse rendido ao brilho azul e branco. Isso não aconteceu e não nos devemos esquecer, tal como diria Maniche, que Mourinho tem dois filhos para criar. Não podemos querer que o sucesso gere amor ou gere devoção. Mas podemos e devemos exigir respeito...
E José Mourinho de há algum tempo para cá não tem feito outra coisa senão desrespeitar o Porto.

O interesse do Chelsea aliado à ganância, num sentido bestialmente lato, de Mourinho fizeram com que encetasse conversações através do seu empresário. Já diziam as más línguas que os adjuntos estariam a tirar cursos de inglês quando, a pretexto de observar o jogo dos outros dois semi-finalistas da Champions, se deslocou com a família a Londres, possivelmente para escolher residência. Numa necessidade impetuosa de salvar a face, e a conta bancária da sanção que decerto recairia sobre ele, logo se obrigou a negar o sucedido e a remeter para posteriormente considerações sobre o seu futuro.
Não é preciso ser um génio para ver que o FC Porto perdeu capacidade negocial com estas manobras pouco éticas do seu treinador.

Talvez não estejamos habituados a estes dilemas da alma onde o homem que nos sagrou campeões europeus é o mesmo que nos apunhala pelas costas. Talvez não estejamos a dar-lhe o benefício da dúvida, como de imediato lhe demos no caso Rui Jorge. Talvez nenhum de nós esteja habituado a ver o treinador ir-se embora porque é bom de mais por oposição à normal chicotada psicológica. Talvez seja tudo isto, mas mesmo assim o desrespeito pelo Porto ficou registado.

Abramovich parece ter um estilo de criança rica mimada que se cansa rapidamente do seu brinquedo novo. Queira Deus e não queira que Mourinho se veja amanhã na situação em que Ranieri se encontra agora. Ainda assim e apesar de tudo, desejo-lhe felicidades.

Ao que parece pretende levar com ele jogadores nucleares para terras de Sua Majestade. Por mim, levaria apenas uma forte assobiadela. No entanto, dessa forma, logo apareceria uma crónica a contar que mais uma vez o Porto (por intermédio dos seus adeptos) estaria a negar a sua condição de clube nacional !
(Viu-se que é mesmo assim pelos festejos ocorridos Portugal fora...)

* PLO *
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