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29/05/04

A emoção dos lances capitais

No estádio os lances mais importantes do jogo são sempre vividos de forma diferente... há inúmeras circustâncias que os tornam especiais... e lá o tempo parece que pára.

No jogo em que o FCP se tornou Campeão Europeu pela 2ª vez, não foi diferente.

No lance do 1º golo, estava a ver o jogo com algum nervoso, fruto sobretudo do jogo menos conseguido que o FCP estava a fazer. O cruzamento sai dos pés de Paulo Ferreira, e a 1ª coisa que me passa pela cabeça é o desejo que ela encontre o Derlei, o homem das finais. Não é isso que acontece, e a bola vai parar ao pé do Carlos Alberto, que desde logo tenta assistir o Ninja. "É isso, bem jogado", é o meu pensamento imediato. Logo de seguida e com jogadores a encobrir o lance, reparo que a bola não chega a Derlei, e fico na expectativa... à espera que o ressalto seja para o jogador do Porto... não consigo ver a bola, apenas as movimentações dos jogadores que estão mais perto dela... e é nesse momento que vejo o Carlos Alberto a fazer um movimento de remate... ainda não vejo a bola... surge finalmente a bola, e sigo-lhe o percurso até ela embater na rede preta, observando pelo meio o movimento de Roma, o movimento que me fez acreditar que aquela bola ia entrar... e no momento em que a bola finalmente encontra a rede, foi a explosão... aquela energia toda acumulada desde que o árbitro havia iniciado a partida.

No 2º golo, recordo o momento em que o Deco recebe a bola ainda no meio-campo do FCP. Imaginei desde logo que ali estava a possibilidade de o Porto fazer o golo que nos traria maior tranquilidade... que nos traria quase de certeza a taça. O deco começa a sua "cavalgada", como só ele sabe... com aquele controlo em velocidade que só os grandes jogadores têm capacidade para fazer, mesmo depois de uma hora de jogo, numa final intensa e nervosa. Vejo-o ir para cima do 1º jogador que lhe surge a tentar cortar a jogada, passa por ele como uma faca quente em manteiga... segue até 10 metros da área, e já há muito que eu gritava para que jogasse a bola no Alenitchev. O Deco faz o passe e o Russo fica sozinho sobre a esquerda... entra na área e nesse momento lembro-me de Sevilha, "vai carago, faz como em Sevilha... marca" penso para mim... é nesse momento que ele abranda o movimento, e aí pensei que talvez tivesse perdido ali o 2-0... mas eis que surge o passe atrasado... é o Deco à entrada da área... recebe a bola, prepara o remate... "chuta, chuta, chuta" digo eu... e o Deco com toda a calma aguarda por algo. Observo o seu movimento, e tenho a certeza que vai rematar para o seu lado direito. É nesse momento que, já de pé, o vejo fazer um passe, um passe com toda a calma para a baliza... enganou toda a gente... ainda a bola não havia entrado e já toda a gente gritava golo na bancada. Mágico!!

No 3º golo, uma bela jogada do Alenitchev em que com a sua persistência e técnica manteve a bola em posse do Porto. Saem inúmeros aplausos das bancadas, e penso para mim, que este é o Alenitchev dos melhores dias... o que guarda a bola e faz jogar a equipa, o que permite que a equipa troque a bola confortavelmente e ataque com propósito. A bola acaba por regressar ao Russo, que desde logo a coloca para Derlei no flanco esquerdo, e não se poupando após o trabalho que já havia feito corre em apoio do ataque, para que fosse mais uma opção de passe. O Derlei recebe a bola e só penso para mim que jogue rapidamente para o meio onde surgia um jogador em zona frontal da baliza... Derlei tenta fazer isso mesmo, de trivela tenta o passe de morte, mas a bola bate no defesa. Nesse momento vejo a bola a subir e fico sem perceber para onde se encaminhava, mas logo fico sem dúvidas já que reparo que o Alenitchev continua o seu "sprint" em direcção à baliza contrária... a bola salta... uma... duas vezes... o guarda-redes adianta-se e penso que o Russo vai fazer o chapéu... vai ser o 3º do Porto... ele espera, espera... já não dá para o chapéu... sai um grande tiro e a explosão de algria ao mesmo tempo que a bola "explode" na rede. O Russo festeja... é o seu 2º golo em finais europeias consecutivas... as bancadas festejam... o Porto é novamente Campeão Europeu!!

Do Chelsea desde pequenino

José Mourinho começou a definir os seus traços profissionais e pessoais quando, ao serviço do Benfica, venceu de forma contundente o Sporting por 3-0. Da vitória e notoriedade adquiridas foi um passo até sair pela porta pequena do clube que lhe estendeu a mão para uma oportunidade como técnico principal.

A sua senda vitoriosa trouxe-o de forma natural ao comando do FC Porto onde se consagrou. Cada vez mais Mourinho demonstrou e vincou tanto as suas qualidades profissionais como as suas insuficiências de carácter.
Mas não tínhamos como não o adorar. Ele vaticinava conquistas, transpirava glória, prometia o paraíso... e cumpria. Vitórias atrás de vitórias e campeonato após campeonato. O Porto tornou-se pelas suas mãos imbatível e ele alcançou o píncaro como treinador.

Não sou ingrato - temos a equipa que temos devido a este homem. Mas também não sou insensível - não me ofusco com títulos, ainda que europeus, e não me esqueço de que o clube está acima de qualquer seu assalariado. O FC Porto deve muito a Mourinho, mas o contrário é igualmente verdade.

Os desejos de mais altos voos acarretavam nos portistas a ténue esperança de que no fundo também ele ficasse rendido ao brilho azul e branco. Isso não aconteceu e não nos devemos esquecer, tal como diria Maniche, que Mourinho tem dois filhos para criar. Não podemos querer que o sucesso gere amor ou gere devoção. Mas podemos e devemos exigir respeito...
E José Mourinho de há algum tempo para cá não tem feito outra coisa senão desrespeitar o Porto.

O interesse do Chelsea aliado à ganância, num sentido bestialmente lato, de Mourinho fizeram com que encetasse conversações através do seu empresário. Já diziam as más línguas que os adjuntos estariam a tirar cursos de inglês quando, a pretexto de observar o jogo dos outros dois semi-finalistas da Champions, se deslocou com a família a Londres, possivelmente para escolher residência. Numa necessidade impetuosa de salvar a face, e a conta bancária da sanção que decerto recairia sobre ele, logo se obrigou a negar o sucedido e a remeter para posteriormente considerações sobre o seu futuro.
Não é preciso ser um génio para ver que o FC Porto perdeu capacidade negocial com estas manobras pouco éticas do seu treinador.

Talvez não estejamos habituados a estes dilemas da alma onde o homem que nos sagrou campeões europeus é o mesmo que nos apunhala pelas costas. Talvez não estejamos a dar-lhe o benefício da dúvida, como de imediato lhe demos no caso Rui Jorge. Talvez nenhum de nós esteja habituado a ver o treinador ir-se embora porque é bom de mais por oposição à normal chicotada psicológica. Talvez seja tudo isto, mas mesmo assim o desrespeito pelo Porto ficou registado.

Abramovich parece ter um estilo de criança rica mimada que se cansa rapidamente do seu brinquedo novo. Queira Deus e não queira que Mourinho se veja amanhã na situação em que Ranieri se encontra agora. Ainda assim e apesar de tudo, desejo-lhe felicidades.

Ao que parece pretende levar com ele jogadores nucleares para terras de Sua Majestade. Por mim, levaria apenas uma forte assobiadela. No entanto, dessa forma, logo apareceria uma crónica a contar que mais uma vez o Porto (por intermédio dos seus adeptos) estaria a negar a sua condição de clube nacional !
(Viu-se que é mesmo assim pelos festejos ocorridos Portugal fora...)

* PLO *

27/05/04

Campeões Europeus

Hoje já é dia 27, faz hoje 17 anos que o FCP foi pela 1ª vez campeão Europeu, e faz um dia em que o foi pela segunda vez.

Foi lindo, foi magnífica a festa...

Assim que recuperar da festa e da viagem falarei sobre isso, agora... siga a FESTA!!

26/05/04

Ladies and Gentlemen

We have a new Europeean Champion!

...e em abono da verdade diga-se que foi um final pobrezita na qualidade do futebol praticado e que o golo de sorte de Carlos Alberto condicionou o resto do jogo. Na realidade, o Porto arrisca-se a ser o campeão europeu mais sortudo de todos os tempos se olharmos às prestações contra o Lyons e o Manchester.

Embora acredite que o Monaco, pela sua condição de finalista, seria um campeão igualmente merecedor o certo é que o Porto lhe foi superior nos momentos cruciais.

Tenho pena por Deschamps que me recordo não festejou em campo o golo de ouro que Zidane marcou a Portugal e que nos elimionu do Euro 2000 por achar que não era penalty .

Quanto a destaques individuais, apenas quatro:

Deco, que merece um elogio especial pela forma como pensou o jgo atacante do Porto. Apesar de não ter brilhado, as triângulações do meio campo passaram sempre por ele e levaram-nos à vitória.

Morientes, que mostrou o porquê de ser emprestado pelo Real. No pior jogo defensivo que tenho memória do Porto ter realizado, Morientes não se viu.

E José Mourinho que tive pena que não tivesse dado a já tradicional "corrida" em volta do campo. Estou-lhe profundamente agradecido mas não lhe "dou" o abraço que daria (noutras circunstâncias)quando se for embora. É um profissional competentíssimo e cheio de talento...mas é só.

Obrigado Porto.

Cá estarei a torcer por ti no próximo jogo...

* PLO *

24/05/04

«Um olhar do Norte»

«Do nosso Porto

HÁ muitas semelhanças entre Barcelona e o Porto. Barcelona é e foi sempre ciosa da autonomia, da sua identidade e carácter de cidade moldada pelo trabalho e comércio, pela cultura e abertura às ideias e ao Mundo, pelo espírito inovador e empreendedor das suas organizações, pela coragem e visão políticas dos seus alcaides, pelo fervor do bairrismo que a anima e não deixa fechar sobre si, pela identificação entusiasta com as suas instituições. Barcelona revê-se no Barça, o grande colosso que é muito mais que um clube de futebol, porquanto é o caldeirão congregador das paixões e emoções, dos sonhos e utopias, das angústias e frustrações, das esperanças e realizações dos catalães. O Barça é a alma de Barcelona, porque a alma é aquilo que temos e sentimos dentro de nós, consciente ou adormecido, vivo ou abafado. E aquilo que se revela, acorda e levanta no estádio do Barça e em torno dele é o estandarte dos sentimentos que perfazem a arquitectura interior da vontade, das causas, ideais e fins que movem a Catalunha. Por isso o Barça é o estado de alma e performance de Barcelona, a forma e o conteúdo da sua ideologia, a expressão dos seus motivos e razões, inconformismos e insubmissões, o teor dos seus anseios e valores, o corpo e a voz do seu protesto, o cântico da sua raiva, a cor da sua revolta. Quer isto dizer que em Barcelona converge tudo para o Barça? Não, mas é quase tudo; só não converge aquilo que não é realmente catalão ou que trai a idiossincrasia da Catalunha. O Porto também é assim, como cidade e símbolo natural de uma região. E é igualmente assim aquilo que alimenta e sustenta o FCP. Mas também há uma enorme e substancial diferença. Nós não advogamos autonomia política, nem o podíamos fazer, já que somos portadores da memória histórica da construção da realidade nacional. Foi daqui que partiram cavaleiros e cruzados para alargar para sul os limites do reino e conquistar Lisboa aos mouros. Nasceu aqui o Infante D. Henrique. Foi nas águas do Douro que se juntou e foi municiada a armada que partiu à conquista de Ceuta e deu início à grande aventura dos descobrimentos. Foi em Trás-os-Montes e Alto Douro que nasceram os soldados e missionários que colonizaram o Extremo Oriente. De cá era Pêro Vaz de Caminha. Não eram de cá os fidalgos que entregaram Portugal aos Filipes. Foi pela barra do Douro que saíram as famílias minhotas e transmontanas que empreenderam a colonização do Brasil. A Igreja do Porto não consta nos anais do reaccionarismo. Não se acenderam por estas bandas as fogueiras da Inquisição nem tiveram vida fácil as tropas de Napoleão. Foi nos grémios do Porto que fervilharam as ideias das revoluções liberais, etc. Eis exemplos que atestam que o plasma matricial da pátria jorra do norte para o sul. E que portanto a nossa causa é a de um inquebrantável patriotismo, genuinamente assumido pelo mérito e pelo esforço, pelos ditos e pelos feitos, pelas palavras e pelos gestos, sem vassalagens a potentados e tiranetes de ocasião, venham eles de onde vierem. O Porto é a consciência de Portugal, limpa e austera. Uma cidade de instituições ciosas dos seus pergaminhos, da sua criatividade e ousadia, das suas pontes para além dela; e que por isso não consente tutelas, desmandos, autoritarismos e controlismos dos medíocres, tortos e vesgos. Um grito que ecoa na distância. É com o nome de Porto — do clube, do vinho, da universidade —que situamos Portugal no mapa do Mundo. É tudo isto que desagua no FCP, juntando no caudal da filiação e amor clubista a mesma dose de sentimentos e valores que vemos melhor à distância no Barça. Por isso o FCP não é só o maior clube da cidade; é um dos grandes clubes do Mundo, porque tem alma, porque serve uma causa que transcende os limites do estádio, porque subverte um estado de conformismo, modorra e sonolência, porque inspira as outras instituições, porque ensina que ganhar é cumprir o destino e perder é traí-lo e que o futebol não é um espaço de adormecimento mas um local de vivificação, consciencialização, assunção, exaltação e reivindicação de princípios e direitos de cidadania. Há no Mundo clubes com mais dinheiro, que pagam mais a treinadores e jogadores, mas são bem poucos os iguais a ele no ideário, onde as alegrias pelo êxito desportivo são ainda maiores pelas razões e memórias cívicas que nele moram. Eis a razão que o leva a Gelsenkirchen e ao topo do ranking da CNN. Vamos ao Estádio do Dragão não apenas para ver futebol. Vamos lá porque nele cantamos a alma, a nossa interioridade que nos atira para além dela. E também por razões políticas. O dr. Pacheco e o dr. Rio chamarão a isto promiscuidade. Mas ambos estão de passagem. O primeiro murchará quando passarem de moda os debates radiofónicos e televisivos feitos com políticos semelhantes a paus para toda a colher; terá então tempo para leituras sobre o fenómeno desportivo e quem sabe se não mudará de opinião. O segundo fenecerá quando a corte perceber que é um acto de estupidez atirar pedras ao FCP e quando o Público, o JN e o Expresso se cansarem de encobrir que ele pouco mais sabe fazer.»

in "A Bola", por Jorge Olímpio Bento

22/05/04

Não se esqueçam de ir votar

Hoje é dia de eleições no FCP. Irão ser eleitos os novos copros sociais do clube, pelo que todos os sócios que poderem votar deverão dirigir-se ao Estádio do Dragão, hoje das 10 às 19.

Bem sei que as 20 mil assinaturas de associados recolhidas a pedir a recandidatura do actual presidente, até davam para se candidatar à presidência da República, mas é sempre importante comparecer para votar.

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