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11/03/04

Excepções

Por JORGE MAIA
O FC Porto está nos quartos-de-final da Liga dos Campeões. Os portistas garantiram o apuramento em Inglaterra, de onde nunca tinham voltado sem perder, e frente ao Manchester United, que nunca tinha conhecido outra sorte se não a de vencer todos os jogos realizados contra equipas portuguesas em Old Trafford. Pois bem, terça-feira o Manchester perdeu, mesmo tendo empatado com o FC Porto. Perdeu a eliminatória frente a uma equipa que continua a encontrar excepções para todas as regras, que é capaz de se sentir em casa em qualquer estádio e que pode vencer qualquer adversário, por muito rico e mimado que seja. Não há limites para aquilo que o FC Porto pode fazer, e isso não é coisa que se possa dizer de muitas equipas. Se é possível eliminar os milionários do Manchester United sem Derlei, sem Pedro Mendes, sem Maciel e sem Sérgio Conceição; se é possível empatar em Old Trafford contra 11 dos melhores jogadores de Inglaterra e 67 mil adeptos vermelhos de raiva; se é possível reclamar um lugar entre as oito melhores equipas europeias sem sequer fazer uma exibição particularmente inspirada, então imagine-se até onde poderá chegar o melhor FC Porto de José Mourinho. E convém sublinhar o facto deste ser o FC Porto de José Mourinho. Uma equipa, que tal como o treinador, não acredita que tem que se ficar pelas meias tintas amedrontadas e pequeninas do nacional realismo; que não admite que lhe imponham limites à ambição que só faz sentido se for desmedida; e que não aceita como fatais as fronteiras estreitas de um país que passa a vida a olhar para o umbigo com pena de si próprio e saudades de um passado mais ou menos mitológico. O FC Porto de José Mourinho, que também tem passado, prefere concentrar-se no futuro. Faz-nos acreditar que nada é impossível e que não há obstáculos demasiado elevados para gente da nossa estatura. Dá-nos a esperança que o resto do País, o dos escândalos, dos favorecimentos e das cunhas faz questão de nos roubar. O FC Porto e José Mourinho são excepções à regra da mediocridade bem educada que faz deste cantinho da Europa um paraíso para a incompetência. Não há muito tempo, houve quem desejasse que o treinador do FC Porto se fosse embora de vez, para Inglaterra ou para onde calhasse. Que fosse de uma vez, seria um alívio. Por cá, tratamos os vencedores assim: mandamo-los embora para não estragarem a média. Afinal, era muito mais fácil vivermos com a nossa própria mediocridade, se ao menos não houvesse excepções...
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