JOSÉ MANUEL RIBEIRO
Há duas pequenas verdades a respeito do FC Porto que, por um motivo ou outro, têm escapado aos artigos de opinião. A primeira é que nenhuma equipa em Portugal é treinada por José Mourinho (e parece que, mesmo no estrangeiro, só uma ou duas têm esse privilégio), portanto, Couceiro só tem de ser melhor do que Peseiro e Trapattoni; a segunda é que Victor Fernandez regressou a Espanha por ter feito exactamente os mesmos pontos do Benfica e menos um do que o Sporting, equipas que derrotou em três ocasiões. O despedimento dele é aceite por unanimidade; o despedimento de Peseiro ou Trapattoni seria um absurdo. Também unânime é a tese de que Pinto da Costa desbaratou a equipa campeã e perturbou o trabalho do treinador com vendas e contratações disparatadas; ou seja, Fernandez tinha uma boa desculpa, ao contrário de Peseiro e Trapattoni, sempre apoiados por direcções competentes que só a muito custo aceitaram vender, em conjunto, dois dos cinquenta jogadores por quem os grandes clubes europeus lhes têm oferecido contentores de euros todas as semanas. Fica a pergunta: por que raio, apesar do presidente contravapor e da equipa destruída, e tendo somado os mesmos pontos, é tão claro que Victor Fernandez fez um mau trabalho e os outros dois não? O intolerável no FC Porto é razoável e até digno de aplausos no Sporting e no Benfica, embora nenhum destes dois concorrentes esteja, sequer, ao nível do pior Porto dos últimos vinte anos - outra verdadezinha fácil de comprovar que tem andado fugida deste campeonato oportunamente "competitivo", em contraste com o anterior, ao qual Mourinho roubou toda e qualquer competitividade antes de se mudar para Londres, onde lidera a ultracompetitiva Premier League com onze pontos de vantagem podres de competitivos. Para Sporting e Benfica, a "competitividade" justifica que se perca com os Bragas e Beira-mares. No FC Porto, dá despedimento.

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