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04/06/07

Jesualdo em entrevista ao "O Jogo"

O título aos 60 anos
- Não sei se faltava alguma coisa na minha carreira. Sei que este título permitiu-me alcançar alguma coisa que não tinha conseguido nunca antes. Quer queiramos, quer não, para a avaliação das pessoas, especialmente em futebol, os títulos são fundamentais. Quem não ganha não é reconhecido e, às vezes, mesmo ganhando também não.


Vítor Baía
- A dado momento o Vítor Baía foi colocado como adjunto, até como treinador. Sem saber, era um mister aqui dentro. Ora, todos sabemos, da equipa técnica fazem parte dois ex-jogadores do FC Porto de grande prestígio, o João Pinto e o Rui Barros, pessoas que não mereciam isto. O Wil Coort, seu treinador específico, também não merecia. E havia ainda dois treinadores, o Jesualdo e o Azenha, que tinham funções claras. A equipa técnica foi, durante algum tempo, colocada em causa por um fantasma que quiseram criar. Portanto, todo e qualquer relacionamento com o Baía era considerado como algo negativo. Acho que isso foi indecente para o Baía, porque se serviram dele para tentar chegar a outras áreas e para a equipa técnica, que é boa, fantástica e formada por elementos de grande qualidade humana e técnica.

Capitães atipicos
- O FC Porto viveu uma situação atípica. Dos quatro capitães, Baía não jogava, embora estivesse sempre presente, o Pedro não jogava e passou boa parte do tempo no departamento médico, e o Ricardo Costa não jogava. Apenas o Lucho fazia parte do onze. Mas também isso o grupo foi capaz de vencer. Este plantel foi fantástico, de uma seriedade e capacidade profissional impecável, mostrando-se capaz de resolver coisas negativas, conflituosidades que foram resolvidas de forma serena

Bosingwa e a lição
- Esteve fora alguns jogos, voltou, voltou bem e agora está na Selecção. Fantástico. Há situações em que as pessoas tem um comportamento menos ajustado e nós fomos resolvendo. Agora, fico satisfeito por o ver na selecção.

A primeira
- A primeira volta do FC Porto indiciava um claro campeão. Recordo-me perfeitamente a imprensa naquela altura dizia: acabou o campeonato, o FC Porto é campeão. Eu, pelo contrário, sempre disse: atenção, não acabou o campeonato, atenção porque os outros adversários são muito fortes, o campeonato ainda tem mais 15 jogos e as dificuldades vão aumentar nas últimas dez jornadas.
Não se podem fazer comparações, porque uma coisa é fazer 15 jornadas, outra é fazer 17, mas creio que quando o FC Porto virou a primeira volta com 13 vitórias, um empate e uma derrota, isso constituía um dos melhores registos de sempre da história do clube


E a segunda volta
- A própria oscilação do FC Porto também foi aumentada pelas dificuldades que as outras equipas criaram, nomeadamente, a subida do Benfica e, a sete jornadas do fim, só a sete jornadas do fim, a subida do Sporting

Fez-se justiça
- Quando os nossos adversários directos dizem que o FC Porto foi o justo campeão, não posso ter outra opinião. O FC Porto foi melhor do que o Sporting e o Benfica durante nove ou dez meses. Se tivemos momentos maus, eles também tiveram, só que eles tiveram mais

Aposta vai ser feita em jogadores altos?
- O FC Porto não é uma equipa alta. E a altura, o peso e a robustez física são fundamentais no futebol actual. (...) Os dois centrais do FC Porto são altos, os laterais são relativamente altos mas dominam bem o jogo pelo ar, mas daí para a frente os jogadores não são muito altos e esses lances reflectem isso mesmo.

O melhor mercado
- Queremos encontrar soluções que produzam efeito rapidamente. Os mercados português e o dos jogadores que já estão na Europa são os que mais nos interessam, porque não há adaptação, nem um processo de aprendizagem tão longo. Há rotinas e métodos assimilados, o que é diferente quando se recorre ao mercado africano ou ao sul-americano. Mas, o FC Porto nunca recusa um bom negócio, venha ele de onde vier.

A colagem ao Benfica
- Magoa-me um bocadinho que tentem servir-se do meu passado como treinador para fazer uma colagem ao Benfica pela negativa. Custa-me, não gosto. Posso entender que as pessoas se refiram a isso, já não aceito muito bem que constituam uma linha de comportamento por ter sido treinador do Benfica, como se a minha vida tenha de ficar para sempre ligada onde trabalhei, onde cumpri o meu contrato, fiz as minhas obrigações. (...) Agora, uma coisa é certa: estou no FC Porto, sou do FC Porto e defendo a minha equipa até aos limites. Aí não dou hipóteses.

Uma desilusão chamada Rui Costa
- Tive sempre muito carinho e respeito por ele, trabalhámos juntos desde quando ele era um menino, ainda no início da carreira dele. Durante muito tempo mostrávamos essa consideração quando os encontros se proporcionavam. Nessa dia, aconteceu que ainda ia a caminho da entrevista rápida, o Rui Costa estava muito perto dessa zona e eu dirigi-me a ele para o cumprimentar. A verdade é que ele, e há testemunhas, teve uma atitude desabrida, pouco educada até, falando de diversas coisas, acusando-me de já não ser o mesmo. Acho que não merecia isso. Se eu tivesse ripostado, entrando na mesma telenovela, teríamos tido uma coisa fantástica. O que eu disse, perante a reacção dele, foi que falaríamos depois, ao que o Rui Costa respondeu que não, que falava já, que eu já não era o mesmo. Depois disso fui falar para a televisão e quando voltei o Rui Costa já lá não estava.

Prejudicados pela arbitragem
- O que senti é que houve muitos jogos em que os árbitros reagiram com critérios diferentes. Por que razão? Não sei. (...) Em Leiria e cinco dias depois do Benfica-FC Porto, quando me perguntaram se achava que o golo do Benfica tinha sido em fora-de-jogo. Como não sou cego, disse que sim. O que resultou numa polémica tremenda. Como deu polémica, aproveitei para dizer mais algumas coisa de que não gostei nesse jogo. Foram dois jogos determinantes nesse aspecto de condução de arbitragem. Estou seguro que mesmo o senhor Pedro Henriques, árbitro muito liberal, teria marcado falta, se fosse fora da área do Sporting, na entrada do Polga sobre o Pepe que ocorreu mesmo no final do jogo. Só que na altura era complicado e passou. Quando vejo durante toda a época um clube falar sistematicamente no Apito Dourado e outros falarem do lance da mão do Ronny... E mais, como por exemplo ler que o Sporting teria sido campeão se este campeonato tivesse sido disputado no sistema de dois pontos por vitória...

Campeões contra tudo e contra todos
- Acho que o FC Porto, como clube grande que é, o clube que nos últimos 20 anos mais títulos ganhou, é aquele que é menos apoiado pelo que faz. Senti desde que trabalho aqui que ganhar no FC Porto redobra, triplica a satisfação, mas também obriga todos a trabalhar ainda mais. Sentimos que para ganhar temos que ser muito mais fortes. E o FC Porto tem sido...
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