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02/10/07

Como mais vale tarde que nunca...Homenagem a Frederico Barrigana

Confesso que de Barrigana só conheço o que dizem os mais velhos, que tinha umas "mãos de ferro" e que foi um dos melhores guarda-redes que alguma vez passaram pelo FC Porto. E isso basta-me. Por isso, em jeito de homenagem, apresento um texto tirado da biblia do Benfica. Já agora, peço aos paineleiros que ganham a vida a criticar o FC Porto nas televisões e nos jornais, mas também aos putos que gostam de ir para o Estádio do Dragão assobiar dirigentes, treinadores e jogadores, para repararem como nos gloriosos tempos da ditadura, antes de Pinto da Costa portanto, o FC Porto éra muito diferente daquele que eles sempre conheceram.

Frederico Barrigana
Natural de Alcochete – 28 de Abril de 1922

Menino e moço se fez corticeiro. Que a vida era dura, no Montijo. Sonhava muito. Talvez o futebol o resgatasse da miséria. Com asas de ouro. O destino por vezes (des)concerta. Frederico Barrigana lutava, no Sporting, por uma oportunidade, mas entravando-lhe ambições estava um monstro: João Azevedo. Por essa altura, no Lumiar havia mais três guarda-redes de bons créditos: Dores, Martins e Szabo, o filho do treinador. A Europa vivia em turbulência política, devastada pela guerra. Os espiões pululavam um pouco por todo o lado. Béla Andrasik, o guarda-redes húngaro que Miguel Siska descobriu em... França, depois de ter passado pela Checoslováquia, pouco depois de o F. C. Porto ter ganho o Campeonato da I Divisão de 1939-40, despareceu misteriosamente da cidade. Só muito tempo depois se saberiam as razões da fuga: foram descobertas as suas acções de espionagem antinazis pelos serviços da Gestapo em Portugal e por temor de ser preso pela polícia de Salazar debandou sem deixar rasto! Os portistas ainda pensaram que tivesse ido de...férias, mas como Andrasik nunca mais deu sinal de si, correram, desesperados, ao Lumiar, pedindo ao Sporting que lhes cedesse um dos guarda-redes que tinham em stock. Mandaram Barrigana. Tinha 21 anos. No clube da sua terra começara a jogar a médio-centro. Mas era de ser interior-direito que mais gostava. No entanto, foi a guarda-redes que construiu o seu destino. Aos 16 anos surgiu, oficialmente, na baliza do Onze Unidos do Montijo. No ano seguinte já estava na primeira categoria. Aos 18 anos foi contratado pelo Sporting, que era o clube da sua paixão. Deixou de sê-lo por Szabo não lhe ter dado uma...«oportunidade séria» de lutar com Azevedo. Por isso, ganhar ao Sporting passou a ser o seu maior prazer. A Azevedo haveria de suceder, na baliza de Portugal. Sempre com o mesmo espírito de lutador, como se defender as balizas fosse defender o paraíso com que sempre sonhara: «Quando perco fico aborrecido e doente. Não sei perder! Implico com tudo e com todos. Até a treinar-me não gosto de sofrer golos...»
Em 1952 o F. C. Porto era um clube em crise. De resultados, de finanças, de identidade. Apesar disso, andou muito tempo na luta pelo título. As esperanças só se desfizeram nas últimas jornadas. Com uma derrota em Alvalade. Por 1-2. Barrigana não foi o que costumava ser — o homem das mãos de ferro. Dera saltada ao Montijo, para visitar velhos amigos. Um naco de presunto traiu-o. Durante a noite, cólicas fortíssimas destroçaram-no. E no jogo pior foi: «Fui atacado por tonturas e má disposição geral, a tal ponto que as minhas tenazes não aguentaram as brasas atiradas à baliza...»
O destino não parecia querer dar-lhe glória farta. Por isso, em 1954, na sua última final da Taça de Portugal, contra o Benfica, ilusões desfeitas. Com uma goleada. Cândido de Oliveira era o treinador do F. C. Porto. O Benfica de Ribeiro dos Reis ganhou por 5-0. No final do jogo, Barrigana, resignado, limitou-se a dizer: «Eles pareciam flechas e nós tachas pregadas ao terreno.»
No ano seguinte chegou Yustrich ao F. C. Porto. Dispensou-o. De modo brusco. Desrespeitando tudo o que fora. Ainda defendeu as balizas do Salgueiros. Mas era já um deus em crepúsculo. E, para seu azar, no ano da sua saída o F. C. Porto voltou aos títulos. Sob o signo de Yustrich...

A Bola

«Pessoalmente, sempre simbolizou um dos ídolos da minha infância. Foi um guarda-redes excepcional que nos meus tempos de Director do Futebol trabalhou como observador. Perde-se uma glória da sua geração, mas nunca se perderá a memória de um guarda-redes fabuloso e de uma excelente pessoa
Pinto da Costa
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