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12/12/09

"Nem tão maus antes nem tão bons agora"

Temos de ser o FC Porto: nos processos, nas competências, na intensidade e na exigência. Normalmente, os jogos que se seguem a outro a meio da semana, mais importante do ponto de vista da motivação e do mediatismo, como foi o de Madrid, tornam-se mais difíceis de preparar. A nossa preocupação centra-se no Setúbal. Queremos fazer sentir que não éramos tão maus quando as coisas não nos correram bem, ou quando estávamos numa fase menos boa, nem somos agora tão bons pelo facto de termos ganhos os últimos jogos. Não é porque ganhámos e fizemos três bons jogos que tudo se torna fantástico.
Jesualdo Ferreira

Já comparei várias vezes o FC Porto desta época com o mesmo FC Porto da época passada. E comparei porque as semelhanças são imensas. É que, tal como aconteceu na época passada, esta época a equipa começou mal o campeonato. Os motivos foram vários: a maioria dos jogadores não renderam imediatamente o que todos esperavamos deles, alguns começaram a época lesionados, outros lesionaram-se quando estavam a subir de rendimento, os profissionais do assobio, sempre com boa imprensa e com os améns dos paineleiros, enervavam a equipa e por causa deles perdemos pontos no Dragão, os jornalistas usaram o mau começo para enterrarem o FC Porto na lama e foram valorizando, cada vez mais, o clube deles que todos sabem qual é.

Mas de repente a preparação e o profissionalismo começaram a dar frutos, os lesionados regressaram, a equipa começou a jogar melhor futebol e os resultados foram aparecendo. Foi assim na época passada, está a ser assim esta época.

Mesmo a frase do dia que tirei do (jornal O Jogo) é uma cópia do que Jesualdo Ferreira já tinha dito na época passada, ao mesmo jornal, mais ou menos por esta altura como podem ver:

"Não éramos tão maus antes nem somos tão bons agora"

Com a devida licença da Académica, ainda havia muito que esgravatar na vitória arrancada na Turquia. Jesualdo Ferreira aproveitou as entrelinhas das perguntas para lançar alfinetadas a críticos e a críticas que foi armazenando nos últimos tempos. Sem as especificar, deixou implícito nuns casos e explícito noutros que as achou injustas e precipitadas. Agora, também acha que os elogios dos últimos dias são algo prematuros, porque este FC Porto, apesar de apurado para os oitavos-de-final da Champions, tem muito por onde espremer. Contradições.

Depois do sucesso europeu, sente a equipa mais confiante?

O FC Porto chegou aos oitavos numa altura em que ninguém acreditava. Só nós acreditávamos. Diziam que estávamos enterrados, que a equipa não prestava, que os reforços eram maus, que a equipa não jogava. Vocês sabem o que foi escrito. Nem éramos tão maus naquela altura, nem somos tão bons agora. Temos é de trabalhar para sermos cada vez mais fortes, mas isso leva tempo e tem o seu progresso normal. Os jogadores nunca desacreditaram. Repito: não somos tão bons agora, como querem fazer crer, nem tão maus como foi escrito naquela altura. A auto-estima é melhor; a confiança aumentou; as capacidades dos jogadores aparecem com outra naturalidade e a equipa rola de outra maneira. Estamos num momento extraordinário? Não. Estamos no patamar que devíamos estar neste momento, apesar de alguns resultados maus. Mesmo em crise, empatámos na Luz, ganhámos em Alvalade, eliminámos o Sporting, conquistámos o apuramento na Champions com vitórias em Kiev e na Turquia.

Diz que a equipa também ainda não é tão boa como se escreve. Falta o quê?

Falta trabalho. Esta equipa precisa de muita atenção de todos, de técnicos, administradores e adeptos. Precisa de carinho. Ninguém nasce ensinado. Os que observam e avaliam, fazem-no de forma diferente à avaliação que fazemos internamente: não só os jogadores, mas também quem os contrata e dirige. Por isso é que o futebol tem piada, nessas divisões de opinião.

Sublinhou, no final, que aquele jogo era um manual de instruções. Porquê? Só pela eficácia?

Sobre esse manual podia dizer muitas coisas. Os jogadores foram espertos e concentrados, sabendo o que fazer face à forma como o Fenerbahçe jogava. Conseguiram-no graças às transições. Na primeira parte, houve momentos em que foi necessário ter os jogadores posicionados de maneira a garantir a ocupação dos espaços. Mas, o FC Porto não deve ser reduzido ao que fez na primeira parte, nem ao que fez na segunda. Há factores que não permitiram que o tal manual tenha sido constante: fizemos dois golos em lances que nada tiveram que ver com os processos; com o nosso método e preparação aconteceram os "quase" golos. Para mim, foi um jogo conseguido porque a equipa teve capacidade de pôr em campo um plano de jogo.

Ajoelhou-se porque já não dá cambalhotas

Pergunta. "Ajoelhou-se no final do jogo com o Fenerbahçe, num gesto instintivo. Sentiu-se aliviado ou vingado?" Jesualdo respondeu com humor. "Se estou de pé, é porque deveria estar sentado; se estou sentado, deveria estar de pé. Se falo, não devia falar; se não falo, devia falar. Se me ponho de joelhos… Cada um manifesta-se da forma que entender. Todas as pessoas têm emoções, de diferentes formas. Foi apenas um gesto que senti. Não consigo dar cambalhotas, porque já tenho alguma idade e podia partir alguma coisa. Foi uma manifestação pessoal de grande emoção e de grande gozo, acima de tudo. Os jogadores ganharam com todo o mérito, ainda que não tenham feito uma exibição do outro mundo. Longe disso."

"É fantástico ter duas equipas nos oitavos"

O Sporting já tinha garantido o apuramento na jornada anterior, o FC Porto conseguiu-o agora. Resultado: haverá duas equipas portuguesas no sorteio da próxima etapa Liga dos Campeões. O problema da semana foi que, excluindo a vitória portista, os resultados acabaram por ser desastrosos. Convidado a comentar esses acidentes de percurso, Jesualdo preferiu olhar para o outro lado da questão. Literalmente, sublinhando o feito histórico que é ter duas equipas nos oitavos. Aliás, criticou mesmo o ângulo de abordagem da pergunta. "Às vezes, passamos ao lado das coisas importantes", disse, embalando depois para um elogio generalizado. "O futebol português conseguiu uma coisa inédita: qualificou duas equipas para os oitavos da Champions. Um mercado pobre, de um país com escassos recursos financeiros, de uma Liga que se diz ser fraca. Qualificou-se duas equipas e isso é que deveria ser relevante", lembrou. E tratou de acrescentar uma reflexão. "Quando é que nós começamos a discutir o que é importante? Quando deixaremos de ser negativos? Temos de ser mais inteligentes nas análises que fazemos ao nosso comportamento. Para mim, foi fantástico que o futebol português tenha conseguido duas equipas nos oitavos-de-final, a uma jornada do fim."

Começa a perseguição ao Leixões

Jesualdo elogiou a Académica e Domingos, sem destacar nada de particularmente relevante. O FC Porto regressa ao Dragão para dar continuidade ao objectivo principal, que é "o campeonato", como sublinhou o treinador. O Leixões perdeu pontos e isso servirá de estímulo acrescido. "O jogo será difícil, mas queremos os três pontos. A equipa está mais ligada, mais forte e, independentemente das dificuldades, estou seguro de que o FC Porto dará a resposta necessária para reduzir o avanço do Leixões." Entre outras considerações, destaque para os elogios ao esforço de Fucile, Rodríguez, Pedro Emanuel e Guarín. Isso mesmo, Guarín. "O Freddy tem grande potencial e carácter, mas tem sido afectado pela selecção. Tem passado menos tempo connosco, mas chega sempre com grande força e vai conquistar o seu espaço, seguramente."
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