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13/05/08

Mentira dita mil vezes...

Pois é, há um ditado popular que reza que por vezes as mentiras repetidas até à exaustão, acabam por se tornar verdades.

Mas tal só acontece por ignorância, cegueira, ou falta de quem tenha capacidade e sagacidade para repôr a verdade.

Isto vem a propósito do que vimos vendo a assistir nos últimos tempos, mais precisamente desde que determinada força foi criada para procurar a qualquer preço e custo incriminar o melhor clube português de futebol. Mais recentemente, após mfinalização de mais uma encomenda, desta feita a um órgão não judicial/criminal. Ora, por assim ser, mais fácil acabou por se tornar o objectivo final de quem buscava atingir os objectivos que todos conhecemos. Manobradas as marionetas, resultados divulgados à moda de Hollywood (tirando obviamente a parte de antes da entrega das "estatuetas", já todos saberem quem eram os "vencedores"), e eis que o tom da choradeira aumenta exponencialmente.

Assistimos a uma corja de coitadinhos a reclamar que todos estes anos de futebol foram uma mentira, e que os seus clubes foram as reais vítimas (haja lata para falar em passado). Alguns chegam ao cúmulo de afirmar que de todas as vezes que os seus clubes conseguiram vencer alguma coisa em Portugal, tal terá sido por distração do melhor clube português... que incompetência!!

A propósito desta situação e relativamente aos campeões do choro, os tais que são perseguidos desde pequeninos; que fazem lutos e manifestos; mas que "no tempo da outra senhora", não só manobravam em partilha a FPF, como ainda detinham dirigentes, que não só entravam nas cabines dos árbitros de pistola em punho quando os resultados não lhes agradavam, como estavam ainda nos mais altos cargos da ditadura que governou Portugal, e que durante todos esses anos fez questão que Lisboa fosse Portugal, e o resto paisagem; a propósito desses, gostaria de aqui deixar um texto retirado de um fórum que nos ajuda a que esta mentira não venha a ser tornada verdade, por mais alto que berrem, por mais convulsivamente que chorem:

« "Apita o comboio..."




(Bom senso, 7 pontos (Bem Escrito) , ontem às 16:49)


Ora até que enfim que a nossa cara Susana Valente decide escrever um artigo sobre o "Apito Final". Já tinha tido o prazer de ler uma crónica do Prozac sobre a lotaria que foi a sentença do "Apito Final", como sempre bem fundamentada, a crónica claro, não a sentença. Pena que o caro Prozac, com o rigor e boa disposição que sempre o caracteriza, só tenha tido em conta a "lotaria", eu chamar-lhe-ia "falcatrua", da decisão da Comissão de Disciplina da Liga e, tal como a imprensa, se tenha preocupado menos com outros aspectos de lotaria que todo o processo representa em termos formais. Não li, por manifesta falta de tempo e de paciência, uma crónica do relax sobre corrupção e não sei que mais. Apesar de todas as diferenças que nos separam, fui obrigado a aceitar a opinião do Catota sobre o relax. O rapaz é mesmo cretino e lê-lo é um consumo desnecessário de energia nesta época em que os neurónios tanto rareiam.
Já o disse aqui há uns tempos atrás: o "Apito Dourado/Final" é uma questão demasiado importante que envolve garantias e liberdades e que acho que só deve ser tema de imprensa ou de debate quando estiverem concluídos todos os trâmites processuais e, em sede própria, a decisão transite em julgado.

Até lá fico à espera para ver como correm as modas.
Por essa razão, ainda não é desta vez que vou dizer o que penso sobre esta matéria.

Estive, contudo, hoje de manhã a pôr em dia as minhas leituras atrasadas do Relvado. Eis senão quando vou cair na leitura de um post com uma pontuação altíssima do Rasputine onde ele dá uma das mais delirantes explicações que ouvi até agora para explicar a carreira do Sporting. Para situar a questão, vou recordar o seguinte excerto:

“De qualquer das formas, nem que retirassem todos os titulos ganhos pelo FC Porto ao longo destas quase 3 decadas, poderião ressarcir aqueles que viveram epoca atras de epoca de roubo, conluio, compadrio e falsificação. Nada que se faça agora me vai devolver os anos de juventude em que acompanhei de muito de perto e apaixonadamente um desporto que estava pura e simplesmente transformado num enorme teatro de marionetas. Nada me vai devolver a alegria das vitórias sonegadas. NADA! Pergunto: que direito teve Pinto da Costa de interferir na minha vida privada e na de milhoes de outros cidadaos? Quem ele julga que é para ter retirado ao desporto favorito de tanta gente o seu fascinio principal: a imprevisibilidade?”

Tal como disse, e repito, fica para mais tarde o meu comentário sobre todo o processo. Considero, porém, que este texto é uma deturpação tão grande da realidade que não pude fdeixar de ficar indignado. Foi essa indignação que me levou a sair da minha reserva.

Qualquer povo, qualquer clube que seja incapaz de fazer uma auto-análise racional e que enverede pela catarse mística como explicação última e final será sempre um projecto falhado, como clube e como povo. Existe um síndrome, que em sociologia política se poderia chamar de “síndrome árabe”, que consiste em assentar todo o edifício ideológico e cultural do país numa pragmática do “ressentimento”. As pessoas ou culturas movidas pelo ressentimento procuram sempre explicar os seus fracassos atribuindo-os a culpas alheias. Se lhe chamei síndrome árabe é porque, nos nossos dias, a política dos países árabes é o mais fiel espelho desta forma de agir e de pensar. Com uma classe dirigente que explora em proveito próprio os mais importantes recursos energéticos do mundo, a miséria não pára de aumentar em todo o mundo árabo-muçulmano. Porém, e os que lidam com pessoas árabes de vários quadrantes, como é o caso deste vosso criado, sabem-no muito bem, é uma pura perda de tempo, na maioria dos casos, pôr o dedo na ferida e chamar a atenção para o fartar vilanagem que é a prática comum dos agentes políticos árabes. Para o árabe comum, os culpados de toda a miséria árabe são o Ocidente em geral e os Estados Unidos em particular. Para dar a este culpado um rosto mais diabólico aí está Israel e o sionismo. Em nome desta mística propagandeada pelos meios mais influentes de comunicação e interiorizada por uma juventude sem rumo, têm-se cometido os maiores crimes contra inocentes cuja única culpa é viver no lado do inimigo.

Vem isto a propósito de um texto escrito por um relva Rasputin que mereceu rasgados elogios. De todo o texto, e pondo de parte o tom patético com que ele foi redigido, retirei apenas a ideia fundamental que foi obviamente aquela que terá levado a imensa maioria dos participantes no fórum a pontuar tão positivamente o post.
O texto do Rasputin é um bom exemplo de como o discurso místico-religioso-patético tem boa imprensa no nosso país. Não espanta, por isso, os 15 pontos ou mais de prestígio. Antes do Rasputine, já o Berlusconi em Itália, e a Teresa Guilherme e a Endemol em Portugal, tinham percebido que a melhor forma de fazer receita e ganhar pecúlio é explorar a infelicidade humana, o lado irracional do ser humano e a falta de afectos que a dureza da vida a muitos condena.

Lido assim na diagonal o discurso inflamado do Rasputin explica de uma assentada todo o historial recente do seu clube, o Sporting, e as razões supranaturais, exteriores ou adversas que impediram este clube de ter sido um clube ganhador. Os dados estavam viciados à partida. Segundo o Raputin, este viciamento da competição era já um facto antes de o ser. O processo “Apito Final” veio apenas dar-lhe razão. Reconfortado por ter tido razão acima de todos e antes de todos, qual pastor da Igreja do Reino de Deus, o Rasputine revela aos relvas a verdade eterna agora confirmada e identifica mesmo o diabo que ao longo de décadas tem falseado essa verdade: Pinto da Costa.
Foi este diabo que aterrorizou as longas noites da sua infância e que impediu que o rebento tivesse desabrochado em todo o seu esplendor e felicidade suprema. Isso, segundo o mesmo, não tem perdão. Consequentemente, o Rasputine dita a condenação não só do mafarrico como de todo o clube, na impossibilidade do Tarrafal e de autos-da-fé, ao limbo do esquecimento. A partir de agora, sempre que a equipa do Porto entre em campo, fica a saber que algures há um Rasputine que faz como um dos três macacos: NÃO VÊ!

Numa cultura tribal ou de cariz religioso, este discurso não só teria sentido como seria transformado em dogma de fé a todos imposto. Infelizmente, para os rasputines deste mundo, não vivemos numa tribo africana nem num regime de tipo iraniano. Para grande desgraça dos países árabes e africanos que nunca o tiveram, mas para grande sorte de todos nós ocidentais, ocorreu no Ocidente, no século XVIII, uma revolução ideológica e cultural chamada Iluminismo. Por muito que custe aos salazarentos que de tempos a tempos se manifestam, vivemos numa época das “Luzes” em que a razão e a ciência ganharam definitivamente a batalha.

Ora, é exactamente ao crivo das Luzes que vou sujeitar o texto patético do Rasputine
(O processo “Apito Dourado”, ao contrário do que por aí se diz e escreve, está ainda na sua fase preliminar e só me pronunciarei, como já aqui o disse, quando ele estiver concluído no local onde em democracia se dirimem os litígios: os tribunais, não a imprensa nem os fóruns):

E para responder ao Rasputine vou pura e simplesmente servir-me dos próprios argumentos que ele utiliza. Ora vamos lá sujeitar as ideias contidas naquilo a que chamarei a seguir o “teorema de Rasputine” a uma verificação lógica. O teorema de Rasputine é, expressamente ou subentendido, mais ou menos o seguinte:

Numa competicão desportiva, em condições de equidade, ganham os melhores.

O Sporting Clube de Portugal é o melhor clube

Logo, se o Sporting não ganha é porque os dados foram falseados e não foram respeitadas as condições de equidade.


Corolário 1: Em condições de equidade, o Sporting, por ser melhor, ganharia sempre.
Corolário 2: Em Portugal há um clube, o Futebol Clube do Porto, que ganha mais vezes que o Sporting.
Corolário 3: O FCP ganha porque o seu presidente falseia as regras da concorrência e a imprevisibilidade do jogo.

Logo:
Em situação de concorrência perfeita, sem a influência do Presidente do FCP, o Sporting, por ser melhor em essência e substância, ganharia com frequência (sempre?)

No mundo das Ciências da Natureza, para verificar a veracidade desta asserção, teríamos de a sujeitar a uma experiência de laboratório.
Como estamos no domínio do social, a única possibilidade de comprovarmos a veracidade ou falsidade da declaração é experimentá-la numa situação em que sejam eliminados os factores aleatórios, ou seja, neste caso, a influência maléfica do Presidente do FCP sobre as condições de leal e sã competitividade.

Ora, sabendo que o campeonato ou Liga de Futebol em Portugal estão há décadas falseados por factores e influências externos, o Bom Senso teve de examinar uma situação em que tais factores aleatórios estavam eliminados. Felizmente para o analista do fenómeno desportivo, essa condições de concorrência leal e imprevisibilidade, inexistentes em Portugal, existem no estrangeiro.

A tarefa que se colocava ao Bom Senso era esta:
Verificar como se comportava um clube, o Sporting Clube de Portugal, em condições de competição onde não havia a interferência de factores externos como presidentes ou árbitros portugueses, por outras palavras, nas competições organizadas pela UEFA e em que os jogos do Sporting nunca tiveram um árbitro português.

Consultados os dados oficiais das competições da UEFA, foi possível ao Bom Senso retirar as seguintes conclusões:
No período de mais intenso domínio do futebol em Portugal por parte do FCP, nos últimos vinte anos, o Sporting esteve normalmente presente nas competições europeias, principalmente na Taça UEFA, competição em que, em condições de lealdade e insuspeita imprevisibilidade foi eliminado logo na primeira eliminatória por 6 vezes: 1989/90, 1991/92, 1992/93,1994/95,1998/99 e 1999/2000.
Eliminado da Liga dos Campeões, foi relegado para a UEFA em 2002/2003 e 2005/2006, anos em que foi igualmente eliminado na primeira e única eliminatória da Taça UEFA em que participou. Ainda na Taça UEFA, foi eliminado na segunda eliminatória em 1995/96, 1996/97 e 2003/2004. Ou seja por onze vezes, e em condições de concorrência saudável, o Sporting o melhor que conseguiu foi, por três vezes, passar a primeira eliminatória.

Apesar de irrelevante para o caso, e já para não falar na carreira internacional do FCP nos anos oitenta, com presenças e vitórias em finais, os dados da UEFA indicam que, durante o mesmo período, o Futebol Clube do Porto, nas condições de concorrência leal e com uma previsibilidade que deve ter deixado roído de inveja o Rasputine, chegou por 5 vezes aos quartos de final da Taça/Liga dos Campeões (90/91, 94/95, 96/97, 99/00 e 2001/02). No novo figurino, passou a primeira fase de grupos por quatro vezes (2001/02, 2004/05, 2006/07 e 2007/08). Chegou às meias-finais da Taça dos Campeões em 1993/94, ano em que a meia-final teve um único jogo, em casa do Barcelona), tendo chegado e ganho a final em 2003/2004. Por ser cliente habitual da Liga dos Campeões, e pelas classificações obtidas na fase preliminar de grupos, raramente o Porto teve possibilidade de participar na difícil Taça UEFA onde o Sporting dificilmente consegue passar a primeira eliminatória. Só a título de mera curiosidade, cabe referir que, numa das poucas participações que teve na Taça UEFA, o Futebol Clube do Porto ganhou a final de Sevilha contra o Celtic.

Como o texto já vai longo, queria apenas assinalar que o que aqui está exposto são dados frios do site da UEFA em que o Bom Senso pouco ou nada fez a não ser ter de traduzir palavras inglesas, nomeadamente, no caso do Sporting, a expressão 1st Round por primeira eliminatória, que foi a que mais trabalho me deu pelo número de vezes que surge no site.

Já agora, aconselho os relvas que pontuam posts aqui no Relvado com interessantes, bem escrito, etc., que, em vez de cair em esparrelas e lugares comuns facilmente desmentíveis como as do Rasputine, tenham a curiosidade de ir investigar fontes. Aprende-se muito neste trabalho de pesquisa. Querem um exemplo a que achei muita graça? Só por curiosidade, para acicatar o ódio atávico que o Rasputine tem ao Futebol Clube do Porto, sabem por acaso os relvas quais foram os anos em que o Sporting teve um melhor desempenho na Europa. Ora, agarrem-se bem à cadeira, calculem que foi em 1990/91, ano em que o Sporting chegou às meias-finais da Taça UEFA, e em 2004/05, ano em que todos muito bem recordam a final perdida em casa contra o CSKA. E sabem que, embora, ao contrário do Rasputine, não acredite no diabo nem em bruxas mas… que las hay, las hay… já viram a figura que o Rasputine tinha evitado fazer se se informasse antes de mandar postas de pescada. Imaginem que, nos dois únicos anos em que o Sporting comprovou a grande qualidade da sua equipa com um desempenho memorável na Europa, o campeão nacional, foi… foi… foi … (ai que riso!) o imprevisível BENFICA.
Ora, bolas, lá se foi toda a teoria dos malefícios do FCP para a saúde mental e a felicidade dos sportinguistas …»

Seguramente muito mais haveria para dizer, mas será que vale a pena bater mais no ceguinho (neste caso nos chorões)??


Este texto pode ser encontrado aqui, como resposta a uma carpideira que verte as suas lágrimas aqui
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