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26/01/10

Escutas que nunca valeram para a (in)justiça da segunda circular

Luís Filipe Vieira apanhado a escolher árbitros

Há vários meios de comunicação social que, de repente, se lembraram de disponibilizar as escutas realizadas ao Presidente do FC Porto. Embora seja muito pouco simpático revelar escutas sem autorização, pessoalmente não posso deixar de me juntar à efeméride - na realidade, estamos a festejar a vitória do FC Porto na abertura, fecho, reabertura e fecho definitivo dos processos que tinham contra o FCP e Pinto da Costa num tribunal a sério, certo?

Permitam-nos então dar o nosso modesto contributo. Há um senhor que foi injustmente esquecido. Referimo-nos a uma escuta em que Luís Filipe Vieira combina os árbitros para os jogos do seu clube. Não haverá aúdio por ser ilegal, vamos apenas limitar-nos a recordar este "tesourinho". Note-se, igualmente, a posição cómica que o gabinete de imprensa do dito clube toma. E sai-lhes uma escuta. Que azar, de facto...

À Comunicação Social de Lisboa que se lembrou disto, os nossos agradecimentos. Dão-nos a oportunidade ideal para relembrar tudo isto. Aqui vai:

Apito Dourado: escutas apanharam Luís Filipe Vieira a escolher árbitros para o Benfica
08.09.2006

As escutas do processo Apito Dourado revelam que Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica, se envolveu directamente na escolha do árbitro do jogo das meias-finais da Taça de Portugal da época de 2003/2004 em que o Benfica ganhou ao Belenenses por 3-1. Esse jogo foi arbitrado por João Ferreira, de Setúbal, na sequência da nomeação acertada num telefonema entre Valentim Loureiro e o presidente dos encarnados. Nessa conversa, Luís Filipe Vieira começa por se queixar pelo facto de o árbitro nomeado para o jogo já não ser Paulo Paraty, conforme havia sido anunciado por Pinto de Sousa, à data presidente do Conselho de Arbitragem da Federação, a um advogado com ligações ao Benfica.

A discussão foi acesa, com Valentim a esforçar-se por apaziguar os ânimos do dirigente e sugerir-lhe nomes de árbitros para substituir Paraty. Vieira, que diz não ter "preferência" por "ninguém", acaba por recusar o nome de quatro internacionais - "não me dá garantias", disse de alguns deles. A solução acabou por ser João Ferreira, o árbitro que amanhã estará no arranque do campeonato para os da Luz, quando defrontarem o Boavista no Bessa (ver texto na página seguinte).

As escutas telefónicas estão apensas ao processo principal do Apito Dourado, mas Cunha Vaz, responsável pelo gabinete de imprensa do Benfica, negou a sua existência. "O sr. Luís Filipe Vieira nunca falou com Valentim Loureiro por causa dos árbitros da Taça. Isso é mentira, até porque quem os nomeava era a Federação. O Benfica nunca escolheu qualquer árbitro", assegurou. Valentim Loureiro, por sua vez, não se disponibilizou para prestar qualquer esclarecimento.

Vieira irritado ao telefone
15 de Março de 2004. Paulo Paraty tinha arbitrado o jogo do Belenenses-Nacional para o campeonato. Por esse motivo, não podia ser indicado para o jogo da Taça, que ocorreria dois dias depois, obrigando Pinto de Sousa, que, à data, liderava o Conselho de Arbitragem, a procurar outra opção. Pinto de Sousa tentaria contactar Vieira para justificar a mudança, mas o dirigente benfiquista deixou de lhe atender o telefone, o que acabaria por levar Valentim Loureiro a envolver-se num jogo que estava fora da alçada da Liga.

"Disseram-me que era o Paulo Paraty o árbitro... Agora dizem-me à última hora, vêm-me dizer que já não pode ser o Paulo Paraty por causa do Belenenses", lamentava-se Vieira a Valentim, enquanto respondia às sugestões dadas por este. "Não quero Lucílio nenhum! (...) O António Costa?! F... Isso é tudo Porto! (...) O Duarte, nada, zero! (...) O Proença também não quero!".

Só o nome de João Ferreira agradou ao presidente do clube da Luz. "O João pode ser", disse, depois de conhecer os candidatos possíveis. A lista era reduzida, porque Pinto de Sousa considerava que o jogo tinha de ser apitado por um árbitro internacional e havia-o dito a Vieira e a Valentim Loureiro.

Nesta conversa com o presidente da Liga, Luís Filipe Vieira estava visivelmente irritado. E confessou a Valentim Loureiro que tinha sido informado de que o árbitro seria Paulo Paraty duas ou três semanas antes. O nome agradava-lhe e a sua substituição foi atribuída a uma manobra do FC Porto, cujo presidente, Pinto da Costa, "controlava tudo", na opinião de Luís Filipe Vieira. No entendimento do dirigente benfiquista, Pinto da Costa decidira até que quem arbitraria o Braga-Porto, também para as meias-finais da Taça, seria Bruno Paixão. "O Bruno Paixão, em Gil Vicente, eu estendi-lhe a mão para o cumprimentar, não me cumprimentou! Como é que esse gajo [Pinto de Sousa] vai nomear esse gajo para apitar?", perguntava Luís Filipe Vieira, não escondendo a indignação e deixando clara a ameaça: "Eu não sou como o Dias da Cunha. (...) Eu vou [à RTP] fazer alguns alertas para o futebol português".

ESCUTAS:

Luís Filipe Vieira (LFV) - Eu não quero entrar mais em esquemas nem falar muito... (...)
Valentim Loureiro (VL) - Eu penso que ou o Lucílio... o António Costa, esse Costa não lhe dá... não lhe dá nenhuma garantia?
LFV - A mim?! F.., o António Costa? F... Isso é tudo Porto!
VL - Exacto, pronto! (...) E o Lucílio?
LFV - Não, não me dá garantia nenhuma o Lucílio!
VL - E o Duarte?
LFV - Nada, zero! Ninguém me dá!... Ouça lá, eu, neste momento, é tudo para nos roubar! Ó pá, mas é evidente! Mas isso é demasiado evidente, carago! Ó major, eu não quero nem me tenho chateado com isto, porque eu estou a fazer isto por outro lado. (...)
VL - Talvez o Lucílio, pá!
LFV - Não, não quero Lucílio nenhum! (...)
VL - E o Proença?
LFV - O Proença também não quero! Ouça, é tudo para nos f...!
VL - E o João Ferreira?
LFV - O João... Pode vir o João. Agora o que eu queria... (...) Disseram que era o Paulo Paraty o árbitro... O Paulo Paraty! Agora, dizem-me a mim, que não tenho preferência de ninguém (...) à última hora, vêm-me dizer que já não pode ser o Paulo Paraty, por causa do Belenenses.
Portal dos Dragões

E agora pergunto: tendo a PJ apanhado tudo isto sem que o cadastrado presidente do Benfica tivesse o seu telefone sob escuta, já imaginaram o que os agentes podiam ter encontrado se ele tivesse sido escutado durante três anos como aconteceu com o nosso Presidente?

4 comentários:

Anónimo disse...

Os jogadores de Futebol Profissional Hulk e Sapunaru, são estrangeiros.
Ganham a vida portanto no nosso país ( são imigrantes) e estão a ser vitimas de uma enorme injustiça.
Basta ler ou ter conhecimento sobre os acontecimentos do famosissimo tunel da Luz em 2009 (Nacional e FCP) e sobretudo ver muito atentamente o video dos acontecimentos em 2008 no mesmo tunel, para não ficarmos com muitas duvidas.
Portugal não pode esquecer-se que tem milhões de emigrantes pelo mundo fora e não gostaria de os ver alvos de graves injustiças.

Os Blogues portistas ou portuenses (individual ou colectivamente), as diversas casas do FCP espalhadas pelo país ( e estrangeiro)e as claques do FCP (legalizadas) deveriam dirigir cartas às Embaixadas (Brasileira e Romena) relatando a situação e pedindo a sua atenção paraeste assunto( pois quer o FCP, quer os jogadores provavelmente não o podem fazer)dando do facto conhecimento a alguma CS ??
Tirar este assunto do "patamar desportivo", para "outros patamares" ( menos poluidos ?) ajudaria a uma Justiça mais adequada ??
Ajudaria claramente a dizer que o "mundo portista" está atento e não adormecido ??
Faz sentido o exposto ??
É possivel e conveniente ??
Um portista preocupado.

Anónimo disse...

Eu não preciso de escutas para nada.

Sei muito bem o que se passava no futebol no tempo da ditadura e até à decada de 80...

E mesmo agora não preciso de escutas, eu vejo os jogos do Sporting e Benfica , eles, os jogos falam por si e coitadinhos são tão prejudicados sobretudo os vermelhos...

Anónimo disse...

Mais incidentes no túnel da Luz, e num outro jogo: o Benfica-Nacional, de 26 de Outubro, para a 8ª Jornada da Liga Sagres.

Incidentes denunciados em exclusivo a Bola Branca, pelo jogador do FC Porto, Rúben Micael, à data a representar o Nacional da Madeira.

Depois de conhecidos os incidentes ocorridos no Benfica-FC Porto, em Dezembro último, para a 14ª Jornada da Liga Sagres, outra partida teve mais problemas no túnel de acesso aos balneários ao Estádio da Luz.

O Benfica-Nacional, a contar para a 8ª Jornada da Liga Sagres também registou incidentes na zona de acesso aos vestiários e, em exclusivo a Bola Branca, Rúben Micael relata empurrões, provocações e insultos, ao intervalo da partida, e protagonizados por Jorge Jesus e Rui Costa.

Neste depoimento, o agora jogador do FC Porto, mas que à altura dos acontecimentos ainda representava os madeirenses, denuncia empurrões do treinador "encarnado" a Cléber, do Nacional, insultos de Rui Costa e dois dedos em riste de Jorge Jesus na cara de Rúben Micael.

Os incidentes, revela o jogador madeirense, foram presenciados por Manuel Aranha e Nuno Pedro, os delegados da Liga de Clubes nomeados para essa partida.

Rúben Micael, neste depoimento a Bola Branca, considera que Jesus e Rui Costa o tentaram provocar, mas que não reagiu, estranhando que até hoje não fosse instaurado qualquer inquérito ao sucedido, três meses passados.

A descrição do centro-campista foi testemunhada por vários companheiros de equipa do Nacional da Madeira, como Edgar Costa, que na 1ª Parte desse jogo marcara o golo dos "alvi-negros" e confirma, em Bola Branca, a versão dos acontecimentos do antigo colega.

in BB

Anónimo disse...

Os nossos comentadores televisivos sabem pouco da historia do futebol português e não querem ficar "mal na fotografia".....

A excepção é Poncio, mas infelizmente a "forma" já não é a mesma...

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