Qu'est que Cech?Sinto-me como se fosse o único tipo que não percebeu a piada numa sala cheia de gente a rir à gargalhada. Co Adriaanse não convocou Marek Cech? Não percebi. Pedi para me contarem outra vez, muito devagar, como se tivesse sete anos e nada. Não percebi. Perguntei se o lateral estava lesionado e disseram-me que não, que está bem e que se recomenda. Perguntei se tinha insultado o treinador e disseram-me que ninguém percebe eslovaco. Mas, então, qual é a piada?
Marek Cech chegou de surpresa à equipa para a recepção ao Inter de Milão, revelando-se uma das decisões acertadas de Adriaanse. Levou com Figo logo para começar e, apesar de algum nervosismo inicial, acabaria por conseguir anular o português. Aliás, voltou a fazê-lo no jogo de San Siro, obrigando o "capitão" da Selecção Nacional a mudar de flanco para conseguir espaço. Entre os dois jogos com o Inter, conseguiu afirmar-se como um dos jogadores mais regulares da equipa, revelando-se crucial para a estanquicidade defensiva demonstrada nos últimos jogos, com a evidente excepção do último. Tanto assim, que voltou a ser chamado à selecção da Eslováquia oito meses depois da última convocatória. É verdade que falhou alguns passes frente ao Inter mas, num jogo em que os erros e os errantes se multiplicaram, castigá-lo por isso seria cruel e desumano.
Ora, sem Marek Cech, o FC Porto vai a Paços de Ferreira sem um lateral-esquerdo de raiz. As opções de Adriaanse para o lugar são César Peixoto e Ricardo Costa, dois bons jogadores, um mais ofensivo do que o outro, mas ambos adaptados ao lugar. E qual é o problema? Bom, acontece por incrível coincidência que o ala-direito do Paços, Edson, é precisamente um dos seus jogadores mais perigosos. E dadas estas voltas todas, eis-me de volta ao início: não percebi.
O Jogo JORGE MAIA